Ter um histórico de reação à aspirina não significa que você não pode usá-la durante a gravidez. A dessensibilização é uma opção segura e eficaz, realizada por especialistas, que pode proteger você e seu bebê dos riscos da pré-eclâmpsia. Converse com seu obstetra e solicite encaminhamento a um alergologista especialista em alergia a medicamento.
Algumas gestantes precisam tomar aspirina diariamente para proteger a saúde do bebê. Mas e se você já teve uma reação alérgica a esse medicamento? Existe solução.
O que é pré-eclâmpsia e por que ela é perigosa?
A pré-eclâmpsia (PE) é uma condição grave da gravidez caracterizada pelo aumento da pressão arterial da mãe, geralmente após a 20ª semana. Ela é a principal causa de morte materna no Brasil e em outros países em desenvolvimento, e pode causar sérios problemas também para o bebê.
O problema começa cedo na gravidez: entre a 8ª e a 20ª semana, a placenta não se desenvolve de forma adequada, reduzindo o fluxo de sangue para o bebê. Isso desencadeia uma inflamação no organismo da mãe que pode levar a complicações graves.
Risco para a mãe:
- Hipertensão grave;
- Convulsões, lesão renal e hepática.
Risco para o bebê:
- Crescimento restrito;
- Parto prematuro, natimortalidade.
Prevalência no Brasil:
Causa nº 1 de mortalidade materna.
Quem tem risco maior de desenvolver pré-eclâmpsia?
Algumas gestantes têm chances muito mais elevadas de desenvolver a doença. Os principais fatores de risco incluem:
- Histórico Pré-eclâmpsia em gravidez anterior
- Condições de saúde Diabetes ou hipertensão crônica
- Situação da gravidez Gêmeos, fertilização in vitro, primeira gravidez
Para que serve a aspirina (AAS) na gravidez?
O ácido acetilsalicílico o famoso AAS ou aspirina em baixas doses tem uma propriedade importante: ele impede que as plaquetas do sangue se agreguem demais, e também ajuda os vasos sanguíneos a se dilatarem. Isso melhora a circulação na placenta, reduzindo o risco de pré-eclâmpsia.
Em gestantes de alto risco, o uso regular de aspirina em baixa dose reduz significativamente a chance de pré-eclâmpsia, além de diminuir o risco de parto prematuro, restrição de crescimento fetal e natimortalidade. O uso é considerado seguro, com benefícios que superam os riscos.
Quando iniciar o AAS?
A recomendação é começar entre a 12ª e a 16ª semana de gestação e manter até uma semana antes do parto.
E se você tiver alergia à aspirina?
Aqui está o dilema que muitas gestantes enfrentam: e se o seu médico indica aspirina, mas você já teve uma reação alérgica a ela (ou a outro anti-inflamatório)? O que fazer?
Primeiro, é importante saber que nem toda reação a um anti-inflamatório significa alergia verdadeira. Pode ser intolerância, reação dose-dependente ou outro mecanismo. Por isso, o ideal é consultar um especialista em Alergia e Imunologia para entender o que de fato ocorreu.
Durante a gravidez, os testes alérgicos e de provocação são limitados por questões de segurança. Mas existe uma alternativa segura e eficaz: a dessensibilização.
O que é a dessensibilização com aspirina?
A dessensibilização é um procedimento médico especializado em que doses muito pequenas de aspirina são administradas de forma progressiva, aumentando gradualmente, até que o organismo da paciente aprenda a tolerar a dose necessária. Não é uma cura da alergia é uma tolerância temporária que se mantém enquanto o medicamento for tomado diariamente.
- Avaliação pelo alergologista: O especialista revisa o histórico de reações e determina se a dessensibilização é indicada e segura para o caso.
- Procedimento em ambiente controlado: Realizado em hospital ou clínica com equipe de obstetrícia disponível. A paciente recebe doses crescentes de aspirina por via oral a cada 15–30 minutos.
- Duração total: O procedimento leva de 2 a 5 horas, seguido de 1-2 horas de observação após a última dose.
Manutenção diária: Após a dessensibilização bem-sucedida, a dose alvo deve ser tomada todos os dias sem interrupção durante toda a gestação.




