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Olá! Sou Chayanne Andrade, médica Especialista em Alergia e Imunologia, com experiência há mais de 15 anos. Costumo dizer que me realizo prestando assistência médica no consultório e criando artigos para poder lhe ajudar. Seja bem-vindo(a)!

Aspirina na gravidez: quando ela é necessária e o que fazer se você é alérgica?

Ter um  histórico de reação à aspirina não significa que você não pode usá-la durante a gravidez. A dessensibilização é uma opção segura e eficaz, realizada por especialistas, que pode proteger você e seu bebê dos riscos da pré-eclâmpsia. Converse com seu obstetra e solicite encaminhamento a um alergologista especialista em alergia a medicamento. 

Algumas gestantes precisam tomar aspirina diariamente para proteger a saúde do bebê. Mas e se você já teve uma reação alérgica a esse medicamento? Existe solução.

O que é pré-eclâmpsia e por que ela é perigosa?

A pré-eclâmpsia (PE) é uma condição grave da gravidez caracterizada pelo aumento da pressão arterial da mãe, geralmente após a 20ª semana. Ela é a principal causa de morte materna no Brasil e em outros países em desenvolvimento, e pode causar sérios problemas também para o bebê.

O problema começa cedo na gravidez: entre a 8ª e a 20ª semana, a placenta não se desenvolve de forma adequada, reduzindo o fluxo de sangue para o bebê. Isso desencadeia uma inflamação no organismo da mãe que pode levar a complicações graves.

Risco para a mãe:

  • Hipertensão grave;
  • Convulsões, lesão renal e hepática.

Risco para o bebê:

  • Crescimento restrito;
  • Parto prematuro, natimortalidade.

Prevalência no Brasil:

  • Causa nº 1 de mortalidade materna.

Quem tem risco maior de desenvolver pré-eclâmpsia?

Algumas gestantes têm chances muito mais elevadas de desenvolver a doença. Os principais fatores de risco incluem:

  • Histórico  Pré-eclâmpsia em gravidez anterior
  • Condições de saúde Diabetes ou hipertensão crônica
  • Situação da gravidez Gêmeos, fertilização in vitro, primeira gravidez

Para que serve a aspirina (AAS) na gravidez?

O ácido acetilsalicílico  o famoso AAS ou aspirina  em baixas doses tem uma propriedade importante: ele impede que as plaquetas do sangue se agreguem demais, e também ajuda os vasos sanguíneos a se dilatarem. Isso melhora a circulação na placenta, reduzindo o risco de pré-eclâmpsia.

Em gestantes de alto risco, o uso regular de aspirina em baixa dose reduz significativamente a chance de pré-eclâmpsia, além de diminuir o risco de parto prematuro, restrição de crescimento fetal e natimortalidade. O uso é considerado seguro, com benefícios que superam os riscos.

Quando iniciar o AAS?

A recomendação é começar entre a 12ª e a 16ª semana de gestação e manter até uma semana antes do parto.

E se você tiver alergia à aspirina?

Aqui está o dilema que muitas gestantes enfrentam: e se o seu médico indica aspirina, mas você já teve uma reação alérgica a ela (ou a outro anti-inflamatório)? O que fazer?

Primeiro, é importante saber que nem toda reação a um anti-inflamatório significa alergia verdadeira. Pode ser intolerância, reação dose-dependente ou outro mecanismo. Por isso, o ideal é consultar um especialista em Alergia e Imunologia para entender o que de fato ocorreu.

Durante a gravidez, os testes alérgicos e de provocação são limitados por questões de segurança. Mas existe uma alternativa segura e eficaz: a dessensibilização.

O que é a dessensibilização com aspirina?

A dessensibilização é um procedimento médico especializado em que doses muito pequenas de aspirina são administradas de forma progressiva, aumentando gradualmente, até que o organismo da paciente aprenda a tolerar a dose necessária. Não é uma cura da alergia é uma tolerância temporária que se mantém enquanto o medicamento for tomado diariamente.

  1. Avaliação pelo alergologista: O especialista revisa o histórico de reações e determina se a dessensibilização é indicada e segura para o caso.
  2. Procedimento em ambiente controlado: Realizado em hospital ou clínica com equipe de obstetrícia disponível. A paciente recebe doses crescentes de aspirina por via oral a cada 15–30 minutos.
  3. Duração total: O procedimento leva de 2 a 5 horas, seguido de 1-2 horas de observação após a última dose.
  4. Manutenção diária: Após a dessensibilização bem-sucedida, a dose alvo deve ser tomada todos os dias sem interrupção durante toda a gestação.

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